Cabi, que significa valente, era o nome de Nino Vieira no tempo da luta armada. Foi um dos homens que lutou contra os Tugas no tempo da guerra colonial, foi um dos que, segundo contam, em 73, içou a bandeira da Guiné independente. Foi o Presidente de 18 anos de ditadura e um dos responsáveis pela guerra de 98 que assolou o país – uma guerra civil, que de civil teve muito pouco, uma vez que se tratou da luta entre a junta militar guineense e os apoiantes de Nino Vieira, vindos do Senegal e da Guiné Conacry. Depois de 7 anos de exílio, com as mãos sujas de sangue e muitas vinganças por cumprir, Nino regressa ao país em 2005 e vence as eleições presidenciais.
Na madrugada do dia 02 de Março de 2009 é brutalmente assassinado na sua residência, na presença da esposa. Morreu com o som das armas, morreu no silêncio da noite, morreu com ódio e violência, com desrespeito e repulsa, restou um corpo caído por terra, furado, maltratado e esquartejado, ignorado pelos militares que enquanto ele já arrefecia no sono eterno aproveitavam para saquear e pilhar todos os seus pertences. Ninguém chegou para ajudar, ninguém tentou impedir o assalto à casa, Nino Vieira morreu mais só que um ilhéu perdido no mar dos Bijagós.
Eram cerca das 4.30 da manhã do dia dois Março quando acordei com um estrondo perto de minha casa. Sobressaltada ainda pensei que pudesse ser um sonho mau, mas não, ao primeiro BUM!!!! Sucederam-se rajadas de metralhadora, tiros e sons de granadas a rebentar. Era armamento pesado e parecia estar a passar-se mesmo diante da minha porta. Percebemos minutos mais tarde que seria na casa do presidente, a 200 metros dali. Procurámos um lugar seguro dentro da casa e ali ficámos a ouvir o grito dos canhões. Os disparos sucediam-se rasgando a noite. Ao BUM e ao RATATATATATA ensurdecedores seguia-se um silêncio sepulcral. O ataque acontecia num bairro bastante povoado de Bissau - Chão de Papel - das tantas casas do bairro, nem um ruído, nem um ai, as portas fechadas, as luzes apagadas e de dentro o medo escutava os tiros em silêncio.
Por volta da 6 horas da manhã cessaram os disparos e quando amanheceu saímos de casa para ver o que tinha acontecido. A casa do Presidente estava destroçada, militares e civis assistiam ao saque dos pertences de Nino Vieira, a princípio dizia-se que talvez ele não estivesse morto, mas pouco tempo depois era já confirmado: Nino Vieira tinha morrido, o destino cumprira-se, Tagme e Nino descansariam para sempre juntos no chão da Guiné-Bissau.
Bissau amanheceu ainda em silêncio, nos rostos tristes e preocupados dos poucos que saíram à rua lia-se o medo pelo que ainda possa vir a acontecer e a pergunta: o que foi isto? ajuste de contas? a vingança há 11 anos prometida? uma armadilha arquitectada por um terceiro elemento? uma limpeza aos tubarões do negócio da droga? Não se sabe, nem se pretende saber… a vida continua devagarinho e quase sem palavras… pé ante pé voltamos às nossas vidas normais, fechamos as portas de casa quando o sol se põe e esperamos não acordar novamente ao som do BUUM ensurdecedor.
Na madrugada do dia 02 de Março de 2009 é brutalmente assassinado na sua residência, na presença da esposa. Morreu com o som das armas, morreu no silêncio da noite, morreu com ódio e violência, com desrespeito e repulsa, restou um corpo caído por terra, furado, maltratado e esquartejado, ignorado pelos militares que enquanto ele já arrefecia no sono eterno aproveitavam para saquear e pilhar todos os seus pertences. Ninguém chegou para ajudar, ninguém tentou impedir o assalto à casa, Nino Vieira morreu mais só que um ilhéu perdido no mar dos Bijagós.
Eram cerca das 4.30 da manhã do dia dois Março quando acordei com um estrondo perto de minha casa. Sobressaltada ainda pensei que pudesse ser um sonho mau, mas não, ao primeiro BUM!!!! Sucederam-se rajadas de metralhadora, tiros e sons de granadas a rebentar. Era armamento pesado e parecia estar a passar-se mesmo diante da minha porta. Percebemos minutos mais tarde que seria na casa do presidente, a 200 metros dali. Procurámos um lugar seguro dentro da casa e ali ficámos a ouvir o grito dos canhões. Os disparos sucediam-se rasgando a noite. Ao BUM e ao RATATATATATA ensurdecedores seguia-se um silêncio sepulcral. O ataque acontecia num bairro bastante povoado de Bissau - Chão de Papel - das tantas casas do bairro, nem um ruído, nem um ai, as portas fechadas, as luzes apagadas e de dentro o medo escutava os tiros em silêncio.
Por volta da 6 horas da manhã cessaram os disparos e quando amanheceu saímos de casa para ver o que tinha acontecido. A casa do Presidente estava destroçada, militares e civis assistiam ao saque dos pertences de Nino Vieira, a princípio dizia-se que talvez ele não estivesse morto, mas pouco tempo depois era já confirmado: Nino Vieira tinha morrido, o destino cumprira-se, Tagme e Nino descansariam para sempre juntos no chão da Guiné-Bissau.
Bissau amanheceu ainda em silêncio, nos rostos tristes e preocupados dos poucos que saíram à rua lia-se o medo pelo que ainda possa vir a acontecer e a pergunta: o que foi isto? ajuste de contas? a vingança há 11 anos prometida? uma armadilha arquitectada por um terceiro elemento? uma limpeza aos tubarões do negócio da droga? Não se sabe, nem se pretende saber… a vida continua devagarinho e quase sem palavras… pé ante pé voltamos às nossas vidas normais, fechamos as portas de casa quando o sol se põe e esperamos não acordar novamente ao som do BUUM ensurdecedor.